24 Abr

Por que evitar carrapato no meu cão? Primeira Parte

Olá, bom dia! Hoje acabo de escrever meu segundo artigo, mantendo firme essa vontade de tornar mais fácil o conhecimento de algumas doenças e como agir diante delas. Desde já, peço que se sinta à vontade para me enviar um email ou uma mensagem se surgir alguma dúvida. E novamente, torço para que muitas dúvidas surjam.

Hoje, atendi o cachorro de um grande amigo. Na ocasião, o Antony tinha uma pequena lesão ocular que motivou a consulta, mas não a vontade de escrever esse artigo. O Antony apresentava infestação leve por carrapatos, do tipo Rhipicephalussanguineus (figura), o carrapato marrom do cão.  Eu estava dizendo que deveríamos combater esse problema pra evitar doenças mais complexas e etc… devido a intimidade tão característica entre amigos, ele me disse “Poxa, mas qual o problema de uns carrapatinhos ?” A pergunta pode parecer simples e uma resposta direta e sucinta bastaria para sana-la.Mas,após uma profunda análise, resolvi escrever sobre a Importância dos carrapatos para os nossos cães.  Como todo veterinário, minha vontade é de escrever tudo que conheço sobre o assunto, trazendo ao papel anos de estudos, experiências e vivências práticas. Contudo, ficaria um texto muito extenso, cansativo e potencialmente chato… tentando torna-lo mais acessível – e menos chato, vou falar hoje exclusivamente sobre uma das doenças que o carrapato pode transmitir.

Carrapato Riphicephalus Sanguineus, carrapato marrom do cão. Figura meramente ilustrativa.

Que os carrapatos são parasitas repugnantes, com alto índice de infestações e grande distribuição territorial, todo nós já sabemos. Porém, estes parasitas causam a chamada “doença por carrapatos”, que por sua vez são provocadas por agentes que os carrapatos transmitem ao picar os cães. Pois bem, a infestação por carrapatos pode acarretar em mais de 120 doenças distintas, sendo as mais importantes: Erliquiose, Babesiose, Rangeliose e Hepatozoonose. Nosso assunto hoje é sobre Erliquiose.

A Erliquiose é uma doença bacteriana, causada por um agente que se mantém dentro dos glóbulos vermelhos dos cães. A título de curiosidade, essa doença provocou a morte de centenas de cães americanos durante a guerra do Vietnã e o primeiro relato no Brasil data o ano de 1973 na cidade de Belo Horizonte – MG. A infecção ocorre após 4 a 8 horas de fixação do carrapato, ou seja, a permanência do carrapato no cão em apenas um turno do dia já é suficiente para a infecção!!!

Uma vez infectado, o cão manifestará três quadros da doença: fase aguda; fase assintomática; fase crônica.

Palidez severa de mucosas, refletindo anemia grave. Figura meramente ilustrativa.

A fase aguda ocorre entre 7 a 21 dias após a infecção, causando sintomas como prostração, febre, jejum persistente, perda de peso, vômitos e diarreia. Outro sinal comum são pequenas manchas pelo corpo, conhecidas como petéquias, que refletem hemorragias internas (figura).  Importante – nessa fase a bactéria causa morte dos glóbulos vermelhos, morte de plaquetas e se difunde por todo o corpo do cão, afetando baço, rins, fígado, pulmões, olhos e cérebro. A intervenção médica nessa fase é a que possui maiores chances de cura!!!

Caso o cão afetado não tenha sido tratado na fase aguda, haverá a evolução para a fase assintomática. Neste estágio não existe nenhum sintoma característico da Erliquiose, sendo possível o diagnóstico somente por meio de exames sanguíneos específicos, onde a trombocitopenia (redução de plaquetas) e hiperglobulinemia (aumento na produção de anticorpos) são as principais alterações. Atenção: a fase assintomática pode persistir por semanas a anos, evoluindo para a fase final da infecção.

Petéquias distribuídas em abdome de cão infectado. Figura meramente ilustrativa.

A fase crônica, último estágio da erliquiose, é o momento em que a maior parte dos casos são diagnosticados por nós veterinários. Nesse momento os cães podem apresentar uma grande variedade de sintomas, variando entre sinais brandos a terminais. Os sinais mais comuns são mucosas pálidas, baixo peso corporal, prostração, febre, pouco apetite, dor nas articulações, edema de membros e sangramentos espontâneos. Entretanto, devido ao comprometimento de múltiplos órgãos, alguns animais desenvolvem sinais oftalmológicos, neurológicos e renais.

Embora o tratamento seja individualizado para cada paciente, o uso de antibióticos é imperativo nesta situação. De acordo com o consenso do Colégio Americano de Medicina Veterinária Interna (ACVIM), deve ser utilizado doxiciclina 10 mg/kg por 28 dias. Como dito anteriormente, o tratamento precoce, nas fases agudas e assintomáticas, possuem uma excelente resposta, com grandes chances de cura. Já na fase crônica, o prognóstico é bastante prejudicado, com altos índices de óbito.

A prevenção da Erliquiose se ancora no controle e prevenção dos carrapatos, por essa razão, a Erliquiose é um excelente motivo pelo qual devemos prevenir carrapatos em nossos cães.

Por fim, caso você seja como o meu amigo, um destemido caçador de carrapatos, lhe dou dois conselhos:

1°) Inspecionar e remover todos os carrapatos do seu cão a cada 4 horas;

2°) Fazer uso de luva ou pinça durante o processo. Pesquisas recentes apontam que a Erliquiose é potencialmente zoonótica, ou seja, pode infectar pessoas também. Os sinais relatados foram febre, dor muscular, dor de cabeça e desorientação.

Enfim, espero ter conseguido responder a pergunta! E principalmente, espero que você tenha entendido que carrapatos é coisa séria, e como tal, precisa de medidas eficientes e definitivas. Além disso, a prevenção é sempre a melhor escolha para você, seu cão, seu bolso e seu veterinário!

Surgiu alguma dúvida? Me manda uma mensagem.

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Fraterno abraço.

 

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Dr. Thiago Prates Pereira

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  Dr. Thiago Prates Pereira

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Qualquer dúvida, conte comigo! Grande abraço.

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